Leondenis Vendramim

Tabaco

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

A maconha é uma droga ilícita, mas salvo um ou outro efeito da cannabis, o tabaco embora lícito, é pior, mais agressivo à saúde, provoca maior porcentagem de dependentes e sua abstinência é mais duradoura e traumática.

Participei com equipes médicas lideradas pelos médicos cirurgiões Ajax Silveira, Gideão de Oliveira em algumas campanhas de “Como Deixar de Fumar em 5 Dias” em S. Paulo, Cotia e outras cidades.

Entre seus materiais didáticos levavam pulmões, fígados e cérebros de fumantes e de não fumantes, dissecando-os a fim de mostrar os efeitos maléficos do fumo. Inúmeros tabagistas assistentes abandonavam o vício, mas a abstinência é muito difícil, requer muita força de vontade, alguns voltavam ao danado.

O fumo é originário da América do Sul. Os índios usavam nos seus rituais muito antes da chegada de Colombo. O francês Jean Nicot (1530-1600) o levou à França e daí espalhou-se pela Europa.

A maioria dos fumantes torna-se dependente da nicotina antes dos 19 anos de idade. Entre os fatores que levam ao vício está a publicidade dirigida principalmente aos adolescentes, jovens e mulheres, fornecendo uma falsa imagem de que fumar é charmoso, proporciona bom desempenho sexual e esportivo, independência e liberdade.

No Brasil, a publicidade de produtos de tabaco é proibida. No entanto, o fácil acesso à compra, o baixo preço dos cigarros, a influência de amigos pais e ídolos fumantes, corroboram para que os jovens experimentem cigarros, tornando-se dependentes de nicotina.

O Mundo tem 1,1 bilhão de fumantes, dos quais 300 milhões estão na China. Embora o número ainda seja alto, aplausos para o nosso Brasil, é o país com maior queda no número de fumantes!

O tabaco causa diferentes tipos de inflamação e prejudica os mecanismos de defesa do organismo, portanto, os fumantes têm maior risco de infecções por vírus, bactérias e fungos. Devido o tabagista levar a mão à boca para fumar é forte candidato à infecção pelo Coronavírus.

O tabaco quer seja cigarro de papel, ou de palha, charuto, cachimbo, ou, narguilé mata 7 milhões de pessoas por ano. A nicotina é absorvida em até 19 segundos pelo aparelho respiratório, estômago, intestinos, cérebro causando irritabilidade, depressão, insônia, falta de concentração, hipersonia, alteração na pressão arterial e nos batimentos cardíacos…

A fumaça, com suas mais de 4 mil substâncias químicas, inaladas pelas vias respiratórias e também pela mucosa oral para os pulmões e distribuída pelo sangue rapidamente, facilitando o acesso da nicotina, droga psicoativa, dando a sensação de prazer por liberar neurotransmissores, causando dependência e necessidade de maior consumo da mesma – é uma doença catalogada pelo CID (Classificação Internacional de Doenças da OMS).

Com a dependência cresce o risco de adquirir doenças. O fumo tem relação com mais de 50 enfermidades: vários tipos de câncer bucal, faringe, laringe, é responsável por mais de 90% dos cânceres de pulmões, estômago, fígado; causa doenças respiratórias: enfisema pulmonar, bronquite, asma, infarto, angina, hipertensão, AVC, tromboses, doenças do aparelho digestivo como cirrose, câncer no estômago, intestino e cólon, além de impotência, infertilidade feminina, menopausa precoce e mais traumática, complicações e uma série de outras.

Segundo a Goodman & Gilman (2005) a fumaça dos cigarros produz efeitos indesejáveis como o monóxido de carbono, dióxido de carbono, óxidos de nitrogênio, amônia, nitrosamidas voláteis, cianeto de hidrogênio, compostos voláteis, enxofre, hidrocarbonetos voláteis, álcoois, aldeídos e cetonas. Algumas dessas substâncias são fortes inibidoras do movimento ciliar. A fase particulada contém nicotina, água e alcatrão.

O fumo causa a morte de milhares de fumantes passivos. Parar de fumar é parar de morrer lentamente. Aqueles que o amam e a sua saúde agradecerão sua luta para deixar esse vício que não lhe traz um só benefício.

No Brasil a cada ano 157 mil morrerão devido ao tabagismo; com o aumento do número de fumantes do sexo feminino, 43% das mulheres terão câncer de pulmão neste ano. Nos EUA já é a maior causa da morte do sexo feminino. Não se candidate a morador do cemitério, saia da fila.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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