Leondenis Vendramim

Hinduísmo em nosso cotidiano

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Talvez você não conheça o hinduísmo, mas com certeza, já viu filmes a respeito, pratique algumas de suas orientações, creia em alguma de suas doutrinas, ou, haja algum deus hindu na sua casa sem saber o significado e a origem. Como tais influências chegaram a nossa cultura?

Hinduísmo é um estado mental e espiritual baseado no antiguíssimo Veda, conhecido por Sanata Dharma ou Lei Perpétua. É a terceira maior religião do Mundo, com mais de um bilhão de seguidores. Destes, 905 milhões vivem na Índia e Nepal, e em menor número nos países vizinhos da Índia e também no Canadá, E.U.A., Reino Unido, etc. Baseiam-se nos ensinos do: Bagavadguita, Ramayana e Bahabharata, ditados pelo deus Krishna, que é um Avatar ou reencarnação de Vishnu.

O hinduísmo engloba o Bramanismo, sistema religioso e sócio-político dividido em castas; creem no Brahma como alma universal e imortal, que rege e faz parte do Universo. Cultuam os deuses avatares que são reencarnações da Trindade. Brahma, o maior, o deus criador, Shiva, o deus da morte, destruidor e Vishinu, o deus que luta pela preservação.

Os hindus creem nesse ciclo eterno: nascimento, morte e renascimento. Para eles, a Yoga é o caminho para conseguir a libertação do “eu” das preocupações e do ciclo de reencarnação. Quando alguém, ou, algum animal se liberta desse ciclo, volta para o deus supremo. As deusas chamadas Deva eram inspiradoras da arte, arquitetura, música, poesia e pelas artes são retratadas.

Os religiosos hinduístas são politeístas, têm deus para tudo, há quem afirme que possuem mais de 330 milhões de divindades, como os avatares, Shiva, Vishinu, Ganesha… Nos sites da internet, encontram-se imagens dos deuses hindus, o de Ganesha (deusa da fortuna) custa de $ 160,00 a $850,00 e há adoradores brasileiros dispostos a pagar o preço a fim de conseguir riquezas!

O hinduísmo exerceu forte influência sobre os persas e sobre a cultura grega e romana. Na Pérsia, o profeta Zarastustra, no grego Zoroastro, (século 6 a.C.) fundou o mitraismo, uma religião dualista, isto é, criam na luta cotidiana entre o bem e o mal. Mazda é o deus do bem e Arimã do mal.

Cada pessoa tem livre arbítrio para escolher entre seguir as orientações de Arimã, ou, as de Mazda. As almas elevam-se ao céu através de três etapas: estrelas, Lua e Sol, que correspondem, respectivamente, aos bons pensamentos, boas palavras e boas ações. O destino final é o céu, reino das luzes infinitas.

Três dias após a morte as almas serão julgadas pelos deuses Mithra, Sraosha e Rashnu. Então passarão pela ponte do juízo, chamada Ponte Cinvat. As almas boas atravessam-na e chegam ao reino das luzes, enquanto as que escolheram seguir as inspirações de Arimã, tiveram maus pensamentos, usaram de palavras torpes e praticaram o mal serão lançadas no hades (abismo, ou no latim inferno), sem possibilidade de volta, e aí serão castigadas por Arimã eternamente.

As almas que praticaram uma quantidade idêntica de boas e más ações são enviadas para o “Hamestagan”, uma espécie de purgatório.

Arimã é o deus destruidor, causador dos desastres, das doenças, da morte, correspondendo ao deus Shiva, enquanto Mazda, o deus do bem, luta contra Arimã pela preservação das criaturas, figura de Brahma e Vishinu, deuses hindus.

Diz-se que Zoroastro recebeu as orientações doutrinárias de Mitra e do Sol através de um corvo, e as escreveu no Avestá, livro que contém hinos, doutrinas e orientações sobre os rituais da purificação religiosa. Entre esses ensinos há sobre a guarda do domingo em honra ao “Invicto Deus Sol” e sobre o dia 25 de dezembro como a data natalícia desse deus, por coincidir com o renascimento do Sol após inverno mais rigoroso.

Os mitraistas possuem vários templos chamados “Templos do Fogo”, pois neles procuram manter um fogo aceso, diante do qual fazem suas orações ao deus Mazda. Os adolescentes (entre 12 e 15 anos) aprendem fazer as orações específicas e passam pela iniciação obrigatória. Tomam o banho da purificação, recebem uma veste branca de algodão e um cinto de lã, os quais devem usar diariamente.

Pela exposição, ainda que sucinta, nota-se uma forte influência do hinduísmo sobre o Mitraismo e em nossa cultura. Continuaremos no próximo artigo e veremos quanto temos dessa religião em nosso dia a dia.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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