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Bíblia sem preconceito – 30

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

O templo maçônico possui câmara de reflexão para onde o iniciado, vestido de uma capa sem mangas, avental e capuz, é levado por um maçom encapuzado, que o aconselha a prestar atenção às figuras e escritos fosforescentes das paredes pretas (1 galo cantando (nova vida), 1 alfanje (morte) e sob ela escrito: “Lembra-te que és pós e que ao pó voltarás”. Então várias advertências: “Se a curiosidade te traz aqui, retira-te”. “Se fores dissimulado, serás descoberto”. “Se tens medo não vá à frente”, e outras advertências), pois serás arguido a respeito.

Na câmara há vários pés direitos de chinelos, uma mesa e uma cadeira, sobre a mesa 1 vela acesa, 1 ampulheta, 2 taças, numa escrito “amargo”, noutra “doce”, um crânio e 2 tíbias humanos, a imitação de um pão, 1 jarra de água e 1 copo.

O iniciando, chamado profano (antes de pertencer ao fano = templo) senta-se, é desvendado e recebe instrução escrita sobre a Maçonaria (significados, objetivos e exigências) e um questionário para responder e assinar de acordo com sua consciência. Após isto o profano é encapuzado, levado pela mão, descalço, sem pertence algum, vestido apenas de uma túnica branca sem costura presa ao ombro direito.

O Venerável pergunta-lhe se deseja de coração ser maçom. Após resposta, conhecidas suas leis e sigilos, e sua inviolabilidade sob terríveis penalidades e após ouvir sobre as obrigações maçônicas (crer em Deus, humildade, igualdade, saúde, combate aos vícios, fraternidade…), é apresentado como um pobre candidato sem vaidade, que deseja sair das trevas para a Luz Maçônica.

Oram, então, para que GADU proteja os obreiros e ao candidato. O candidato responde ao questionário referente ao que ele viu na câmara de reflexão. É a primeira prova.

A decoração do teto é reminiscência do templo de Luxor no Egito em homenagem aos deuses Amon, Mut e a seu filho Quespisiquis. No fundo há um dossel sob o qual se coloca o trono de Salomão, assento exclusivo do Venerável ou do Grão-Mestre. No alto do dossel uma “estrela flamígera” entre o Sol e a Lua (Osíris e Isis), aí estarão o compasso e o esquadro, cruzados em torno da letra “G” (Gadu ou Grande Geômettra).

Segundo H.P. Blavatsky Gadu é o mesmo deus Osíris, o Sol. Atualmente os maçons consideram abreviatura de Grande Arquiteto do Universo, mas continuam com o Sol bastante presente nos seus simbolismo e ritualismo. O triângulo deve ser equilátero e radiante por representar a divindade.

No interior da figura há um Olho Esquerdo Onividente (Aquele que é, foi e será) representando Hórus, filho de Osíris e Isis, que luta contra Tifão (deus do mal, besta horripilante, filho da deusa vingativa Gaia e de Tártaro, o Sinistro).

A Maçonaria usa, como símbolos, a pedra (estabilidade) o cedro (vitalidade) e materiais dourados (ouro, espiritualidade), constantes no templo de Salomão e dos símbolos esotéricos.

Há 3 degraus para o trono do venerável, 2 para o 1º Vigilante e por 1 para o 2º Vigilante, todos os três portam um martelo (Autoridade). Na mesa do Venerável há um objeto em forma de prisma triangular e esculpido na frente o esquadro e o compasso entrelaçados, a Constituição da Loja; ao Norte uma prancheta com 2 paralelas cruzadas e um X (limitado e infinito) componentes do alfabeto maçônico.

Nela estarão o material de escrita, o livro dos ritos simbólicos, o das leis e regulamentos da Instituição e a Bíblia. A mesa serve de altar de juramentos. O juramento deve ser feito ajoelhado, mas respeita-se a crença contrária. Entre paralelas verticais e tangenciais há um círculo (Sol que não transpõe os trópicos).

As festas e as grandes reuniões são realizadas nos dias 24 de junho (dia de S. João Batista) e 27 de dezembro (João Evangelista), representados pelas paralelas. Nos altares do Venerável e dos vigilantes deve haver um castiçal triplo indicando o triângulo equilátero.

Com vela baixa quando o templo represente trevas. Uma estátua de Vênus deve estar ao lado do altar. A mesa do secretário deve ter 2 penas, um livro e a figura do deus Nebo (deus babilônico e assírio da sabedoria). O mestre de cerimônias possui o esquadro e o compasso com a letra G.

Os 3 governadores, chamados luzes, empunham o malhete com a mão direita para punir ou estabelecer a ordem, neste caso, o martelo deve estar na vertical pousado do lado esquerdo do peito, a parte percursora para o lado de fora do corpo, à altura do ombro; esta mesma posição para ser saudado e só responder com ligeiro inclinar da cabeça.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História
Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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